
A dificuldade de perdoar vem do não aceitar.
Lembro-me das inúmeras vezes em que disse: Não tem perdão para o que ele fez! Tomara que morra! Como você não percebe?! Não é possível todo esse descaso! Depois diz que faz tudo por nós?! ... imagine se não fizesse? Abre o olho e veja o que fez com sua vida e a de todos nós!!
Pensei, esperneei, chorei. Sessões de terapia aberta para quem quisesse ouvir, fatos repetidos com algumas mudanças aqui e outra ali. Cada repetição um buraco maior da sua não compreensão. Ele não me ouvia...
Tem coisas na vida que a gente prefere esquecer, a gente sabe, só não quer mais ouvir. Ele achou o caminho para lidar com suas situações, tenho certeza em seu íntimo sabia o que tinha feito, devia ser difícil admitir, imagino. Jogar uma vida inteira para trás, assim sem mais nem menos, ambicioso. Um ato de coragem.
Tínhamos uma vida de sonhos,sempre mergulhados no amanhã... vividas apenas em sonhos.
Vivi o luto.
Sim vivi até pouco tempo sem perceber como o tempo passou. Ele foi embora dizendo que nada havia mudado, mas a partir desses dizeres tudo mudou. E como... um mundo de acontecimentos, repletos de minunciosidades não interagidas com ambas as partes. Perde-se a referência do que é o que é. Em meio aos destroços, resta-se apenas um amor camuflado,cheio de muita poeira, quase imperceptível... rodeado pela mágoa e o rancor.
Desisti.
Deixei a vida me mostrar o que seria melhor para mim e naquele momento o melhor era parar.
O tempo passou.
Passou ao ponto de nos tornarmos estranhos um para outro, pelo menos para mim. Eu cresci, meus pensamentos mudaram, já não queria mais insistir no mesmo sofrimento. Abri a caixinha e retirei lá do fundo os escombros.
Aceitei.
Entendi que todo ser humano presente nessa Terra de onde falamos, esta aqui para aprender, evoluir. Mesmo que na tentativa de sobreviver acabe magoando outros seres ao longo de sua trajetória. Sei que esse não foi seu principal objetivo. Voltando as escolhas, a partir delas trança-se a rota da vida, às vezes por uma escolha infeliz demora-se anos para retomar ou encontrar a rota verdadeira, aquela que realmente tenha um sentido. Até lá são muitas tempestades, buracos, pistas escorregadias, complicado de encarar. Deixa-se passar muita coisa.
Entendi que nunca alguém será do jeito que acho que seja o mais correto e coerente dentro dos padrões da normalidade, ou da minha normalidade, se é que posso me intitular, ser uma pessoa normal dentro de um padrão que eu mesma prefiro que se exploda.
Não sou a mulher maravilha e ele nenhum pouco o tal Super- herói de Gibi. Cada motivo é um motivo para cada um. Não estou aqui para julgar e sim aprender. A título de sábio deixo para Dalai Lama, o mestre.
Em fim ACORDEI.
Por mais que doa, quem causou o maior sofrimento à mim, fui eu mesma. Quem propagou a filosofia do auto-agarramento fui eu enquanto vivia parada no tempo cheia de rancor e mágoa, profetizando negatividade que só me fazia mal.
O que ele fez não foi legal, não mesmo. Mas o que eu fiz tão pouco é digno de aplausos.
Diante das escolhas, existem duas alternativas.
Escolho o PERDÃO.
EU te perdoou PAI.
EU me perdoou.